Alisson elogia Ancelotti: “O ambiente da Seleção foi transformado”

A menos de duas semanas da estreia do Brasil na Copa do Mundo, o goleiro Alisson Becker abriu o jogo sobre o impacto de Carlo Ancelotti no grupo. Para o camisa 1 do Liverpool, o treinador italiano mudou radicalmente o clima na Seleção desde que assumiu o cargo no ano passado – e esse é um dos motivos pelo qual a equipe chega mais tranquila ao torneio.
Do caos à estabilidade: o que Ancelotti trouxe ao vestiário
“É inegável que o último período foi muito difícil para nós, jogadores. Sentimos de perto as dificuldades que tivemos por vários fatores. Desde a chegada de Ancelotti, o ambiente foi transformado”, disse Alisson. A declaração carrega peso. A Seleção atravessou uma fase turbulenta nas Eliminatórias, chegando a ocupar posições constrangedoras na tabela sul-americana antes de se classificar.
Ancelotti, que se tornou o primeiro técnico estrangeiro a levar o Brasil a uma Copa do Mundo, assumiu uma seleção em crise de identidade. Resultados ruins, desgaste interno e exposição midiática haviam corroído a confiança do grupo. O goleiro descreveu a virada com precisão: “Ele carrega uma presença forte e nos dá a tranquilidade de um ambiente focado no trabalho, sem polêmica.”
Não é pouca coisa vindo de quem atua sob pressão constante em um dos clubes mais exigentes da Europa. Alisson foi além e ressaltou traços pessoais do treinador: “É resiliente, humilde, tem inteligência para escolher as palavras certas na hora certa. Tem uma ideia clara de futebol, o que facilita nosso estilo de jogo.” Essa combinação, na visão do goleiro, favorece diretamente o desempenho coletivo.
O peso do cargo e a estreia contra Marrocos
O Brasil entra em campo no dia 14 de junho, em New Jersey, diante de Marrocos – uma seleção que chegou às semifinais da última Copa e representa um adversário longe de ser protocolar. No Grupo C, o Pentacampeão divide chave com Marrocos, Haiti e Escócia. Abrir bem o torneio é condição básica para não repetir o estresse das Eliminatórias.
Alisson não poupou palavras ao dimensionar o que significa comandar o Brasil. “A posição dele talvez tenha mais pressão do que ser presidente do país, em seus níveis”, afirmou. A frase soa hiperbólica, mas quem acompanha a relação do brasileiro com a Seleção sabe que não está tão longe da realidade. Ancelotti demonstra, segundo o goleiro, consciência e gratidão por estar nesse posto: “Vejo sua alegria e gratidão por ser o treinador da Seleção.”
Taffarel, o ídolo que virou parceiro de trabalho
Alisson também prestou uma homenagem ao técnico de goleiros da Seleção, Cláudio Taffarel. Campeão mundial em 1994 e herói da semifinal de 1998 contra a Holanda, Taffarel é um dos nomes mais reverenciados da história do futebol brasileiro. Para Alisson, trabalhar ao lado dele é algo que vai além do profissional.
“Uma das memórias mais vivas que tenho, com seis anos, é a semifinal contra a Holanda. Meu pai pregou uma peça quando o Taffarel defendeu o pênalti: ele pegou um bolo e enfiou na própria cara. Acho que por isso ficou tão marcado”, contou o goleiro, com uma dose de afeto na voz. A lembrança diz muito sobre o peso simbólico que Taffarel carrega para toda uma geração.
Na visão de Alisson, a contribuição do preparador vai além do que aparece nas câmeras. “Talvez as pessoas não vejam tanto a importância do Taffarel como treinador de goleiros. Consegui manter um nível alto por tanto tempo porque tenho um preparador qualificado como ele.” É um reconhecimento raro – e honesto. A longevidade de Alisson no topo, afinal, não se explica apenas pelo talento.




