Família Gold vende ações do West Ham para grupo de Amanda Staveley

Vanessa Gold, filha do falecido David Gold, confirmou que sua família fechou acordo para vender a fatia que possui no West Ham a um consórcio liderado por Amanda Staveley, ex-coproprietária do Newcastle. A negociação, ainda não concluída oficialmente, promete mexer com a estrutura acionária de um clube que amarga sua pior fase em décadas, recém-rebaixado à Championship.
Os detalhes do acordo
Em comunicado, Vanessa Gold afirmou ter chegado a um entendimento para repassar a participação herdada de seu pai a um grupo formado pela PCP Capital Partners, comandada por Staveley e pelo marido dela, Mehrdad Ghodoussi, em parceria com a Ashland Forest Capital Partners. “O processo ainda não terminou, mas quis ser transparente com a torcida sobre onde as coisas estão e quais são minhas intenções”, escreveu.
David Gold dividiu a presidência do clube por 13 anos ao lado de David Sullivan, que segue como maior acionista individual, com 38,8%. Logo atrás vem Daniel Kretinsky, dono de 27% das ações através do EP Group. A fatia da família Gold gira em torno de 25%, número que, somado ao que Kretinsky já controla, poderia redesenhar completamente o comando do clube.
Kretinsky reage e ameaça travar a venda
O bilionário tcheco não escondeu o desagrado. Em junho, seu grupo já havia negociado com a família Gold a compra dessa mesma fatia, num movimento que elevaria sua participação para 43%, ultrapassando Sullivan como principal proprietário. O negócio, porém, esfriou. Agora, por meio de porta-voz, Kretinsky classificou o anúncio de Vanessa como um retrocesso: “O acordo que fechamos com a família Gold em junho trouxe estabilidade ao clube num momento crucial. O anúncio de hoje faz exatamente o oposto.”
A nota ainda deixa uma ameaça velada: o EP Group avalia exercer seus direitos de preferência, cláusula que permite a acionistas existentes comprar as ações antes que sejam oferecidas a terceiros. Segundo apurado, esse processo pode se arrastar por até dois meses, o que colocaria a transação com Staveley em suspenso justamente na reta final do mercado de transferências.
Um pano de fundo turbulento
A movimentação acontece num momento delicado para o West Ham. Em junho, Gold e Kretinsky haviam se manifestado juntos, expressando preocupação com denúncias de comportamento sexualmente predatório atribuídas a Sullivan, hoje com 77 anos, após investigação conjunta de veículos britânicos. Sullivan nega categoricamente as acusações.
Staveley e Ghodoussi não são estranhos ao futebol inglês: comandaram o Newcastle entre 2021 e 2024, período em que o clube foi comprado pelo fundo soberano saudita PIF. Agora, a dupla mira um projeto de reconstrução no West Ham, que estreia a temporada neste sábado, dia 8 de agosto, diante do Portsmouth pela Copa da Liga, antes de abrir a Championship contra o Burnley oito dias depois.









