18 jun 2026 19:30

Inter e Milan saem do acordo com a UEFA; Roma leva multa de 6 milhões

Inter e Milan saem do acordo com a UEFA; Roma leva multa de 6 milhões

A UEFA divulgou o balanço final dos clubes que firmaram acordos de regularização financeira em 2022, depois dos prejuízos acumulados durante a pandemia. O resultado é desigual: Inter de Milão e AC Milan cumpriram as metas e estão livres das restrições. A Roma, não. O clube da capital continua sob vigilância e terá de pagar 6 milhões de euros em multas.

Como tudo começou: a pandemia e os acordos de 2022

No verão de 2022, o futebol europeu ainda carregava as marcas financeiras da covid-19. Portões fechados, receitas zeradas e folhas salariais intactas criaram déficits históricos em vários clubes. Inter, Milan e Roma acumularam perdas combinadas superiores a 1 bilhão de euros no triênio 2019-2022 – cerca de 500 milhões só para a Nerazzurra, mais de 350 milhões cada para os Rossoneri e os Giallorossi.

Para evitar sanções imediatas, os três clubes italianos assinaram acordos com Nyon. A ideia era dupla: um plano de recuperação gradual e uma adaptação ao novo regime financeiro da entidade. A UEFA, por sua vez, havia reformulado suas regras com dois pilares: o football earnings rule, que limita as perdas a 60 milhões em três anos (líquido de investimentos elegíveis), e o squad cost rule, que exige que a proporção entre custos do elenco e receitas não ultrapasse 70%.

Inter e Milan: trajetórias diferentes, mesmo destino

Três anos depois, as duas equipes milanesas saem do acordo com a cabeça erguida. A Inter percorreu um caminho mais longo, mas chegou lá. Após registrar prejuízo de 85 milhões em 2022-23 e de 36 milhões em 2023-24, o clube encerrou 2024-25 com lucro de 35 milhões – o primeiro resultado positivo em anos recentes, impulsionado pelas campanhas na final da Champions League e no Mundial de Clubes.

O Milan foi ainda mais consistente: três exercícios consecutivos no azul, ainda que modestos – 6 milhões, 4 milhões e 3 milhões de euros, respectivamente. Números discretos, mas suficientes para atender às exigências da UEFA sem tropeços.

Na prática, sair do acordo significa liberdade operacional. Os dois clubes deixam de estar sujeitos a metas intermediárias rígidas e não arriscam mais as sanções automáticas previstas para quem descumpre os termos – entre elas, proibição de contratações e restrições nas listas de jogadores inscritos nas competições europeias. A Oaktree, gestora controladora da Inter, pode agir com mais flexibilidade no mercado. Já o Milan, de volta à gestão do RedBird Capital, terá de lidar com a queda de receitas causada pela segunda temporada consecutiva fora da Champions.

Roma: multa, dívidas e pressão até junho

O cenário para a Roma é outro. O clube permanece preso ao acordo e acumulou perdas de 238 milhões de euros no triênio 2023-2025 – número que revela um desequilíbrio estrutural ainda não resolvido. A multa de 6 milhões veio em duas partes: 2 milhões por não atingir a meta intermediária, e mais 4 milhões por ultrapassar o limite de 70% na relação entre custos do elenco e receitas.

A tendência é de melhora, mas lenta demais para os critérios da entidade europeia. O clube seguirá monitorado durante a temporada 2026-27, e o balanço financeiro com data de 30 de junho será determinante. Para fechar as contas dentro dos limites, a direção romana precisará gerar mais-valias significativas com vendas de jogadores antes do encerramento do exercício. Tempo curto. Margem estreita.

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