Real Madrid fora da final: Madri vibra pela metade com título espanhol em 2026

Se a Espanha levantar a taça na Copa do Mundo de 2026, as ruas de Madri vão celebrar – mas com um asterisco. A cidade vive dividida: enquanto o Atlético de Madrid envia três jogadores ao elenco campeão, o Real Madrid não tem um único representante sequer na equipe que disputará a decisão. É a primeira vez na história que o clube mais vitorioso do país fica completamente de fora de uma seleção em Copa do Mundo.
O Atlético brilha onde o rival some
Os rojiblancos se tornaram o clube que mais contribuiu com jogadores para a final do lado argentino. São seis atletas do Atlético na Albiceleste: Nahuel Molina, Nico González e Julián Álvarez são os mais conhecidos, mas a lista vai além. No elenco espanhol, o clube de Metropolitano aparece com Alex Baena, Marcos Llorente e Marc Pubill. Três peças. Não é o Barça – que domina o time com oito convocados diretos, número que sobe para mais de dez se contarmos os formados em La Masia -, mas já é motivo de orgulho para a metade vermelha da capital.
Vale lembrar: Rodri, um dos pilares da seleção espanhola e hoje no Manchester City, foi revelado nas categorias de base do próprio Atlético. A contribuição madrilena ao futebol espanhol, portanto, vai além do que os números diretos mostram.
De La Fuente, La Masia e o veto ao Bernabéu
A exclusão do Real Madrid não foi acidente. O técnico Luis de La Fuente tomou uma decisão deliberada antes do torneio: nenhum jogador merengue na lista. Em vez disso, convocou oito atletas do Barcelona e uma série de representantes do futebol basco – Athletic Club, Real Sociedad e Osasuna compõem outro bloco expressivo na seleção. A Espanha, na prática, foi dividida entre catalães, bascos e um punhado de outros. Madri, capital do país, ficou de fora desse cálculo.
De La Fuente tem 65 anos e uma trajetória de 13 anos no futebol de base nacional. Cresceu em Haro, no limite com o País Basco, região com identidade futebolística própria e forte. Seus critérios técnicos são claros – e não passam pelo Bernabéu. O Real tinha pelo menos quatro espanhóis com qualidade para a Copa: Gonzalo García, Raúl Asencio, Dean Huijsen e Álvaro Carreras. Todos cortados.
Cucurella, a medalha de ouro e um detalhe da FIFA
Há um detalhe curioso nessa história. No momento da final, havia sim um jogador formalmente ligado ao Real Madrid na seleção espanhola: Marc Cucurella. O lateral-esquerdo de 28 anos se transferiu do Chelsea para o clube merengue durante a Copa do Mundo. Mas a FIFA usa a lista registrada no início do torneio para fins oficiais. Resultado: quando Cucurella recebeu sua medalha de ouro, ele ainda constava como jogador do Chelsea nos registros. O Real Madrid não aparece em lugar algum.
E não é só burocracia. Cucurella veio de La Masia. É um produto do rival, adotado tardiamente. O simbolismo diz tudo sobre a relação atual entre o clube e a seleção nacional.
O Real e seus 10 jogadores: muito barulho, pouco resultado
O clube teve dez atletas na Copa do Mundo de 2026 – mas espalhados por seleções que não chegaram longe. Kylian Mbappé conquistou a Chuteira de Ouro, mas a França caiu nas semifinais, e com ela foram embora as chances do atacante de brigar pela Bola de Ouro. Aurélien Tchouaméni também ficou abaixo do esperado. Pela lista dos que decepcionaram: Antonio Rüdiger, Federico Valverde, Arda Güler, Endrick e David Alaba. Jogadores que jogaram bem, mas sem resultado coletivo: Vinícius Júnior, Brahim Díaz, Thibaut Courtois e Jude Bellingham.
No futebol de clube, o Real segue sendo o maior do mundo. Na Copa do Mundo de 2026, porém, ficou de fora dos dois lados da final. E quando a Espanha for campeã – se for -, a metade branca de Madri terá que torcer pelo título do vizinho.
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