Torcida do United reativa banner e cobra punição ao City

A torcida do Manchester United voltou a exibir, neste sábado, o famoso relógio do setor Stretford End, zerado para marcar o tempo desde a última conquista “legítima” do Manchester City. O gesto, pago pelo grupo de apoiadores The Red Army antes do confronto com o Tottenham, é uma resposta direta ao veredito que considerou o rival culpado de quase todas as acusações de violação das regras financeiras da Premier League entre 2009 e 2018.
Um símbolo que volta depois de treze anos
A faixa não é novidade em Old Trafford. Ela apareceu pela primeira vez em 2000, exibindo a contagem de “24 anos” sem título importante do City desde a Copa da Liga de 1976. Foi atualizada temporada após temporada, chegando a marcar “35 anos”, até que o clube azul encerrou o jejum ao erguer a FA Cup em 2011 – momento em que o banner foi retirado.
Agora ele reaparece com um novo número: 51 anos. A mensagem é clara. Para os torcedores do United, nenhum dos 22 títulos relevantes conquistados pelo City sob o comando do Abu Dhabi United Group teria validade real, dado o histórico de irregularidades financeiras agora reconhecido por uma comissão independente.
Antes da bola rolar contra o Tottenham, as arquibancadas também entoaram cânticos acusando o rival de trapaça, deixando o recado sonoro de que a rivalidade local ganhou um capítulo ainda mais azedo.
City recorre e nega irregularidades
Até agora, nenhuma punição foi definida para o clube comandado por Pep Guardiola. A diretoria já entrou com recurso contra a decisão da comissão independente, classificando o veredito como repleto de “erros claros de direito, princípio e fato” e alegando que ele seria “inseguro”. O processo, que se arrasta desde 2018, é um dos mais extensos já conduzidos pela Premier League e pode resultar em sanções que vão de multas pesadas a dedução de pontos.
Carrick lamenta títulos perdidos para o rival
Enquanto o caso segue nos tribunais esportivos, ex-jogadores do United reviveram a frustração de temporadas decididas pelo City. Michael Carrick, auxiliar técnico atual e ídolo do clube como meia, lembrou que foi vice-campeão da Premier League em 2012, sob Alex Ferguson, e novamente em 2018, no comando de José Mourinho – exatamente dentro do período investigado.
Para Carrick, eventuais medalhas entregues retroativamente não substituem o que foi perdido em campo. “É o momento que você busca, vencer e conquistar naquela hora. A medalha, mais tarde, não traz a sensação de quando você realmente vence ou perde. É basicamente por isso que estamos nisso”, afirmou o treinador, deixando claro que a reparação esportiva, se vier, chegará tarde demais para apagar o gosto amargo de duas temporadas decididas pelo rival de Manchester.







