29 jun 2026 18:27

Manor Solomon revelou isolamento e mensagens de ódio no Villarreal

Manor Solomon revelou isolamento e mensagens de ódio no Villarreal

O atacante luso-israelita Manor Solomon descreveu sua passagem pelo Villarreal como uma das piores experiências da carreira. Falta de estrutura, hostilidade nas redes e até um companheiro de elenco que se recusava a cumprimentá-lo. Apenas quatro partidas e um gol, mas memórias que vão além das estatísticas.

Chegada fria e nenhum suporte do clube

Solomon, de 26 anos, cedido pelo Tottenham ao clube espanhol no início da segunda metade da temporada 2023/24, contou que o acolhimento foi praticamente inexistente. “Em Inglaterra, assim que assinas, recebes mensagens do responsável de imprensa, do delegado, do médico. Estás muito acompanhado. Em Espanha ninguém falou comigo, exceto o treinador, que falava inglês”, disse o jogador.

Segundo ele, só conseguiu se organizar porque seu agente, Pini Zahavi, tinha um colaborador israelense baseado na Espanha. Sem essa ajuda informal, teria ficado completamente à deriva. O detalhe incomoda: estamos falando de um clube que disputa a Liga dos Campeões, não de uma equipe de segunda linha.

Ódio nas redes e tensão no vestiário

O conflito entre Israel e a Palestina deixou marcas diretas na rotina do atacante. “Desde o momento em que assinei, recebi dezenas ou até centenas de milhares de mensagens de ódio”, relatou Solomon. Ameaças à sua mulher, insultos nas arquibancadas durante o aquecimento contra o Sevilha, uma bandeira israelense manchada de sangue erguida à sua frente pela torcida adversária. Nada foi sutil.

Dentro do próprio elenco, havia um jogador marroquino que se recusava a dar a mão ou abraçá-lo após os gols. “É uma decisão dele”, comentou o atacante, sem expandir o tema. Uma tensão silenciosa, mas constante.

Desconfiança do treinador e saída inevitável

O golpe final veio em campo. Solomon havia marcado e distribuído assistência nos jogos anteriores, mas ficou no banco durante a partida contra o Real Madrid sem entrar nem um minuto. “Aí percebi que o treinador não confiava em mim”, concluiu ele. Antes disso, já havia sido poupado no confronto com a Juventus, realizado durante o Yom Kippur, o mais importante feriado do calendário judaico.

Em janeiro de 2024, o empréstimo ao Villarreal foi encerrado e o Tottenham o repassou à Fiorentina, na Itália, onde seguiu a temporada. Solomon nasceu em Israel, mas carrega também a nacionalidade portuguesa, concedida a descendentes de judeus sefarditas pela legislação brasileira e portuguesa de reparação histórica. Uma identidade complexa que, aparentemente, pesou mais do que deveria nos meses em que tentou firmar-se na Espanha.

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