Nagelsmann: só o título mundial vai calar os críticos da Alemanha
A seleção alemã enfrenta o Paraguai nas oitavas de final da Copa do Mundo – e o técnico Julian Nagelsmann está cansado de justificar o desempenho da equipe. Para ele, há apenas uma resposta possível para os céticos: ganhar tudo.
Sem meio-termo: vencer ou continuar sob pressão
Na véspera do duelo contra os paraguaios, previsto para segunda-feira perto de Boston, Nagelsmann foi direto ao ponto. “No futebol é tudo sobre vencer. Se você vence, tudo é perfeito. Se perde, tudo vai por água abaixo. Então temos que vencer amanhã”, declarou o treinador em entrevista coletiva.
A Alemanha avançou como líder do Grupo E com certa folga – 7 a 1 sobre Curaçao e uma virada de 2 a 1 sobre a Costa do Marfim -, mas uma derrota no encerramento da fase de grupos para o Equador reacendeu as dúvidas sobre o nível da equipe. A seleção não passa das oitavas desde 2014, quando conquistou o tetracampeonato. Nas últimas duas edições do Mundial, caiu na fase de grupos. Essa herança pesa.
Questionado sobre como lidar com as expectativas, Nagelsmann escolheu palavras de equilíbrio, mas o recado foi claro: “Temos que dar aos jogadores um bom plano para que se sintam confortáveis em campo e mostrem o que realmente são capazes de fazer.”
Havertz na ponta e a tríade que ainda não engatou
Apesar de Deniz Undav ter impressionado vindo do banco – três gols e duas assistências nos dois primeiros jogos -, Kai Havertz deverá começar como centroavante. O atacante do Arsenal é presença frequente em grandes ocasiões. Participou de duas finais de Liga dos Campeões, marcando em ambas: uma pelo Chelsea, outra pelos Gunners. Na Copa, ainda busca reproduzir esse protagonismo.
“Em geral, acho que me sinto mais confortável nas grandes ocasiões. Não sei explicar por quê. Só acontece”, disse o jogador. Havertz balançou as redes duas vezes no goleada sobre Curaçao, mas a combinação com Florian Wirtz e Jamal Musiala – devastadora na Eurocopa 2024, disputada em casa – ainda não se repetiu no Mundial.
Os motivos são conhecidos: Havertz e Musiala sofreram com lesões ao longo da temporada, enquanto Wirtz enfrentou o desafio de se adaptar à Premier League após uma transferência milionária para o Liverpool. Mesmo assim, o trio mantém a confiança. “Sabemos que ainda não entregamos tudo. Mas estamos muito perto”, afirmou Havertz.
Um adversário administrável – e depois, talvez, a França
O Paraguai terminou em terceiro lugar no seu grupo, o que significa que a Alemanha parte com favoritismo claro. Mas Nagelsmann não quer nem ouvir falar em facilidade. O próprio treinador reconheceu que sua equipe cometeu “suicídio tático” diante do Equador, mesmo abrindo o placar. Uma zebra no mata-mata seria uma catástrofe com proporções históricas para o futebol alemão.
E o contexto não ajuda a relaxar: em caso de classificação, a Mannschaft pode cruzar o caminho da França nas quartas de final – um rival que chega ao torneio entre os favoritos. Nagelsmann optou por não poupar titulares no último jogo do grupo, ao contrário de outros técnicos, e garante que a equipe está em plena forma. “Quando olhei para o treino, posso dizer que estou muito satisfeito. Os meninos vão jogar no seu melhor nível amanhã”, concluiu.





