Tonali ao Tottenham por £100 mi e mais: quem ganhou e quem perdeu na janela de verão

O mercado de transferências de 2026 mal começou e já entregou negócios que vão render debate por meses. Sandro Tonali trocou o Newcastle pelo Tottenham por £100 milhões, Matheus Fernandes seguiu o mesmo caminho por £85 mi, e Gonçalo Ramos saiu do PSG ao Milan por 75 milhões de euros. Não há como avaliar todos como bons negócios – alguém sempre paga mais do que deveria, ou vende por menos do que podia exigir.
Newcastle: da euforia ao colapso silencioso
Há pouco tempo, os Magpies eram apontados como o próximo grande projeto financiado por capital do Golfo. Classificação inédita para a Champions League, título da Carabao Cup sobre o Liverpool. Os torcedores sonhavam alto. Depois veio a queda: Alexander Isak foi vendido justamente para o rival que acabaram de superar na final, e a equipe terminou a temporada em 12.º lugar.
A saída de Tonali é o golpe mais duro desse processo de desmontagem. O italiano havia se consolidado como um dos melhores volantes da Premier League nos últimos dois anos. E Bruno Guimarães, por tudo que se sabe, não deve demorar muito para seguir o mesmo caminho. Os donos sauditas reduziram o ritmo de investimento, e os £100 milhões recebidos pelo camisa 8 dificilmente serão aplicados com inteligência – o histórico recente do clube não anima. Nota para o Newcastle: F.
Tottenham aposta alto, mas o risco é real
Roberto De Zerbi chegou aos Spurs disposto a reinventar o clube, e a diretoria está bancando. Em 48 horas, Londres viu o Tottenham fechar Matheus Fernandes por £85 milhões e, no dia seguinte, bater o próprio recorde com Tonali. Dois centroavantes do meio-campo europeu numa só semana.
Tonali, aos 26 anos, joga sob as ordens de um compatriota e chega como titular garantido em um sistema que parece feito para ele. Mas pagar £100 mi por alguém que ainda precisa confirmar seu nível no topo do futebol mundial é uma aposta que precisa dar certo – e logo. A torcida, cansada de anos de austeridade sob Daniel Levy, por ora está em festa. Nota para o Tottenham: B+.
Fernandes é mais jovem – 21 anos – e foi eleito um dos melhores volantes da Serie A antes do rebaixamento do West Ham. De Zerbi o vê como peça central. O problema é que o PSG pagou 60 milhões de euros por João Neves ao Benfica, e Fernandes ainda está longe daquele patamar. Os Spurs pagaram caro para afastar o Manchester United. Vai ter que se provar rápido. Nota para o Tottenham nessa contratação: C+.
Saibari ao Bayern e Palestra ao Chelsea: os acertos da janela
Nem tudo foi loucura. O Bayern de Munique negocia há meses a contratação de Ismael Saibari, do PSV, por 50 milhões de euros – e o marroquino explodiu justamente no Mundial, marcando nos três jogos da fase de grupos e convertendo o pênalti decisivo contra a Holanda. Vincent Kompany já sabe onde encaixá-lo. O timing foi perfeito, o preço era justo antes do torneio. Nota para o Bayern: A.
Já o Chelsea agiu rápido para tirar Marco Palestra da fila do Inter. O lateral-direito do Atalanta, revelado pela própria academia do clube bergamasco, foi eleito Melhor Defensor da Serie A 2025-26 e chegou a Londres por 47 milhões de libras. Xabi Alonso aprovou pessoalmente. A quantia é alta para um jogador com apenas uma temporada de elite, mas a versatilidade e a insistência do treinador sugerem que o espanhol tem um papel claro para ele. Nota para o Chelsea: B.
Ramos ao Milan: o negócio mais difícil de explicar
O PSG saiu ganhando. Vendeu por 75 milhões de euros um centroavante que ficou mais no banco do que em campo – Luis Enrique preferia Dembélé como falso nove – e usará parte do dinheiro para buscar um atacante que realmente se encaixe no sistema. Bom negócio. Nota para o PSG: A+.
O Milan, por outro lado, precisa de uma explicação melhor. Ramos é um bom finalizador: 45 gols em três temporadas, a maioria saindo do banco. Mas o valor pago é o mais alto da Serie A desde que o Inter contratou Romelu Lukaku, e o português nunca demonstrou ser esse tipo de jogador. A aposta faz sentido só se houver uma saída grande – Rafael Leão seria o nome óbvio – ou se relações entre dirigentes estiverem influenciando o negócio além do campo. Nota para o Milan: D+.





