Amigos no clube, rivais em Monterrey: Marrocos e Holanda se enfrentam nas oitavas da Copa de 2026

Nesta segunda-feira, em Monterrey, cinco jogadores marroquinos vão olhar para o lado e reconhecer os adversários. Cinco deles já foram ou ainda são companheiros de clube de jogadores holandeses. No Mundial-2026, a amizade fica no vestiário.
Uma rede de laços que atravessa ligas europeias
Ismael Saibari, o artilheiro dos Leões do Atlas na competição com três gols, e Anass Salah-Eddine conquistaram o campeonato holandês há poucas semanas ao lado de Guus Til, meia da seleção laranja – todos pelo PSV Eindhoven. O lateral esquerdo Noussair Mazraoui, que nasceu na Holanda e foi formado no Ajax, dividiu vestiário com Frenkie de Jong e Ryan Gravenberch por anos em Amsterdã e depois reencontrou Gravenberch no Bayern de Munique. Já o veterano Sofyan Amrabat, que também nasceu no país, jogou ao lado de Noa Lang no Club Bruges.
Achraf Hakimi fecha a lista. O defensor do Paris Saint-Germain conviveu com o atacante Donyell Malen no Borussia Dortmund. Não é pouca coisa: são conexões espalhadas por Países Baixos, Alemanha e Bélgica, construídas ao longo de anos de treinos e vestiários compartilhados.
Amizade existe, mas não entra em campo
Hakimi foi direto ao ponto: sem amizade dentro das quatro linhas. Saibari foi um pouco mais lírico – disse que reencontrar Guus Til seria algo “bacana”, mas que ainda nem acompanhou a Holanda de perto e vai aguardar a orientação do treinador. Salah-Eddine admitiu que vai “jogar contra os melhores amigos”, chamando a partida de “fantástica”. O técnico Mohamed Ouahbi cortou o romantismo: “São marroquinos antes de tudo, e vão ganhar esse jogo.”
Ouahbi, que nasceu na Bélgica, disse entender o sentimento de quem cresceu em outro país e escolheu defender as cores do Marrocos. “É muito particular, porque enfrentamos um país que nos deu muito”, explicou em coletiva de imprensa. De Jong, ex-companheiro de Mazraoui no Ajax, definiu o duelo como “extremamente difícil” e destacou a coesão do time africano.
O que está em jogo vai além das oitavas
Para as duas seleções, o jogo carrega um peso extra. A Holanda perdeu três finais de Copa do Mundo – em 1974, 1978 e 2010 – e segue em busca de um título que escapa há décadas. O Marrocos chegou às semifinais do Catar em 2022 e, campeão africano por walkover neste ano, quer pela primeira vez na história uma vaga na decisão do torneio.
O confronto também ressoa fora de campo: na Holanda vivem mais de 400 mil pessoas de origem marroquina, tornando o jogo algo próximo a um derby para parte da torcida local. Ronald Koeman reconheceu o peso da partida com pragmatismo: “Enfrentamos o Marrocos. Assim está bem.”





