2 jul 2026 16:13

Jones avalia derrota de Topuria: “Honestidade é o primeiro passo”

Jones avalia derrota de Topuria: “Honestidade é o primeiro passo”

Jon Jones nunca perdeu uma luta no UFC – e talvez por isso o que ele diz sobre derrotas soe com mais peso. Em declarações recentes durante uma viagem à Rússia, onde participou de um evento de boxe de soco nu da IBA, o campeão dos pesados comentou a queda de Ilia Topuria para Justin Gaethje e traçou um diagnóstico direto sobre o que separa quem volta mais forte de quem afunda nas desculpas.

O que afasta um campeão do topo

Jones conhece bem as armadilhas que cercam quem chega ao pico do esporte. Segundo ele, o título no UFC transforma a vida do lutador praticamente da noite para o dia. Surgem convites, festas, dinheiro novo, pessoas que antes não existiam. E, sem um grupo de confiança ao redor, é fácil se perder nesse turbilhão.

“Quando você se torna campeão do UFC, a fama vem imediatamente. Os jantares, as garotas, o dinheiro, os novos amigos. Tem muita coisa sendo jogada em cima de você. Se não estiver bem fundamentado, se não tiver um círculo forte, é simples se distrair”, disse Jones.

O próprio veterano admite que caiu em algumas dessas armadilhas ao longo da carreira – festas, confusões fora do octógono, episódios que quase custaram mais do que momentos difíceis. O que o diferenciou, na avaliação dele, foi a equipe que nunca baixou o nível de exigência e não deixou que os tropeços virassem justificativa.

Por que Topuria pode se recuperar

“El Matador” entrou no confronto contra Gaethje com um cartel invicto de 15 vitórias e saiu com a primeira derrota da carreira. A luta foi diferente do padrão que o espanhol-georgiano apresentou na chegada ao topo: postura mais exposta, disposição de trocar no sufoco, tentativa de antecipar um nocaute que não veio no primeiro round como ele havia previsto. Já no segundo, o acúmulo de dano falou mais alto.

Jones, que compartilha o mesmo empresário com Topuria, revelou ter conversado sobre o georgiano justamente naquele dia. E o que ouviu o deixou otimista. “Ele tem fé. Tem uma equipe forte. Tem ética de trabalho. E, pelo que me disseram, ele é humilde e honesto. Ele reconhece que simplesmente não atuou bem. Esse é o primeiro passo para voltar ao ringue de forma saudável.”

Para Jones, o maior obstáculo na volta após uma derrota não é físico. É psicológico e intelectual. Lutadores que fabricam explicações – o árbitro, o sorteio, a noite ruim – raramente conseguem corrigir o que de fato deu errado. Quem olha no espelho e diz “eu poderia ter feito mais” já está um passo à frente. “Você não consegue mentir dentro daquela jaula. O que é real vai aparecer.”

O que vem pela frente

Do lado do ex-campeão dos penas, o silêncio tem sido a resposta pública predominante desde a derrota. Merab Dvalishvili, compatriota georgiano e aliado próximo, entrou em campo para apontar cutucadas nos olhos como fator decisivo na performance apagada de Topuria. De fato, há pelo menos uma imagem que mostra um polegar atingindo o rosto do lutador nas rodadas iniciais. Mas atribuir o resultado somente a isso seria ignorar escolhas táticas que custaram caro.

Topuria ainda precisa se recuperar das fraturas no rosto sofridas no combate. Quando o processo de cura terminar, o caminho natural aponta para uma revanche com Gaethje – ou uma reconstrução na divisão dos leves antes disso. Se Jones estiver certo sobre o caráter do georgiano, o próximo capítulo pode ser mais interessante do que o encerrado em maio.

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