24 jul 2026 21:44

Klopp assume seleção alemã até 2030

Klopp assume seleção alemã até 2030

Jurgen Klopp está de volta ao trabalho de campo. Dois anos depois de deixar o Liverpool, exausto após quase uma década no comando, o técnico alemão fechou acordo para assumir a seleção da Alemanha até 2030. A confirmação saiu na manhã desta sexta-feira, poucos dias após a renúncia de Julian Nagelsmann.

Um acerto rápido, um contrato robusto

A negociação avançou em ritmo acelerado assim que a saída de Nagelsmann se tornou oficial. Representantes da federação alemã (DFB) voaram até Nova York em 10 de junho para conversar com Klopp e seu empresário, e o esqueleto do acordo surgiu quase de imediato: contrato de sete milhões de euros por ano, valor próximo ao que Nagelsmann recebia, com vigência prevista para ultrapassar a Copa de 2030.

A diferença está no escopo. Enquanto Nagelsmann atuava basicamente como selecionador, Klopp chega com um mandato bem mais amplo, incluindo trabalho estrutural sobre a formação de jovens jogadores no país. Ele já integrava, aliás, um grupo de estudos da Bundesliga que investiga por que a Alemanha vem produzindo cada vez menos artilheiros natos e zagueiros de elite.

Houve ainda um detalhe contratual curioso: a Red Bull, empregadora de Klopp nos últimos 18 meses, liberou o técnico sem qualquer vínculo residual. Em troca, a DFB fará uma doação de um milhão de euros à fundação beneficente da marca, e três amistosos da seleção serão disputados em Leipzig, sede do clube do grupo austríaco no país.

O fiasco que abriu a porta

Nagelsmann já vinha desgastado havia meses. A boa campanha na Eurocopa de 2024, com eliminação honrosa nas quartas diante da Espanha, deu lugar a uma sequência de tropeços após as aposentadorias de Thomas Muller, Ilkay Gundogan e Manuel Neuer, além da saída definitiva de Toni Kroos. Sem a espinha dorsal que sustentou a geração anterior, a equipe minguou na Liga das Nações de 2025 e patinou nas eliminatórias do Mundial.

Decisões controversas – como convocar Neuer de volta e barrar Oliver Baumann, ou escalar o capitão Joshua Kimmich na lateral direita em vez do meio-campo – azedaram ainda mais o ambiente. O resultado veio no Mundial deste ano, nos Estados Unidos: eliminação nos pênaltis diante do Paraguai, nas oitavas de final, a primeira derrota alemã por disputa de pênaltis em Copas do Mundo.

Do estúdio de TV para o banco de reservas

Klopp viveu o mesmo torneio de um lugar bem diferente: ao lado de Muller, como comentarista estrelado da Magenta TV, com direitos de transmissão de todos os jogos. A dobradinha rendeu momentos leves, mas também constrangedores – Klopp chegou a sugerir publicamente a entrada de Deniz Undav no time titular e depois pediu desculpas a Nagelsmann no ar. No intervalo do jogo contra o Paraguai, com a Alemanha perdendo, ele desmontou a defesa da equipe e classificou a atuação como algo que “traz lágrimas aos olhos”.

A relação de Klopp com a seleção, porém, vem de longe. Ele analisa o futebol alemão na televisão desde 2003, ganhou notoriedade nacional como comentarista na Copa de 2006 – a chamada “Sommermärchen”, o verão mágico do país – e desde então carrega um prestígio popular equivalente ao de um técnico nacional mesmo fora de função. Depois de títulos de Bundesliga e Copa da Alemanha pelo Borussia Dortmund e da conquista da Premier League e da Champions League pelo Liverpool, seu nome nunca deixou de circular como sonho de consumo da federação.

Agora, aos 58 anos, ele troca o microfone pelo apito de treino. O desafio é reconstruir uma seleção que perdeu identidade tática, renovação de elenco e, sobretudo, confiança – tudo isso com os olhos já voltados para o próximo grande objetivo, a Copa de 2030.

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