10 jul 2026 11:47

Mundial de Clubes pode ir ao Catar e crescer para 48 times

O torneio não está em compasso de espera. Enquanto o mundo ainda processa o que aconteceu nos Estados Unidos, a FIFA e os principais clubes do planeta já movem peças para a próxima edição – e os contornos começam a ganhar forma.

Catar na pole, México bate à porta

O Catar aponta como favorito para sediar a segunda edição do Mundial de Clubes. A lógica é conhecida: infraestrutura pronta, relação consolidada com a FIFA e capacidade de absorver competições de grande porte fora do calendário europeu tradicional. Mas há um novo nome na disputa. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, abriu publicamente a possibilidade de o país receber o torneio – e a oferta tem peso. Os mexicanos acabaram de organizar pela terceira vez uma Copa do Mundo e querem mais.

A hipótese do Catar traz consigo uma consequência direta para o calendário: se a sede for o país do Golfo, o torneio seria disputado no inverno europeu, tal como foi o Mundial de seleções de 2022. Para os clubes, isso implicaria reorganizar toda a temporada – janelas de transferências, pré-temporadas, datas de ligas domésticas. Não é simples. Mas o impacto seria menor do que paralisar competições inteiras, como acontece com os torneios de seleções.

O dinheiro explica tudo

A European Football Clubs, entidade que reúne os maiores clubes do continente, participa ativamente das conversas. E o motivo é direto: o dinheiro em jogo é considerável. O Chelsea embolsou 120 milhões de euros ao vencer a primeira edição. Os semifinalistas garantiram 100 milhões cada. Até o Atlético de Madrid, eliminado ainda na fase de grupos, saiu com 22,7 milhões no bolso. Para o modelo financeiro do futebol europeu de clubes, ignorar essa fatia seria um erro difícil de justificar.

Florentino Pérez, um dos maiores entusiastas do formato ao lado de Gianni Infantino, já havia sinalizado na última campanha eleitoral do Real Madrid que o calendário precisaria ser repensado. A janela de inverno, antes descartada, virou opção concreta.

Mais times, mais frequência?

Outro ponto quente nas negociações é a ampliação do torneio: de 32 para 48 clubes participantes. A mudança permitiria que mais de duas equipes de um mesmo país disputassem o torneio – o que beneficiaria diretamente as ligas mais fortes, como Premier League, La Liga e Serie A. A redistribuição das vagas por confederação ainda está em aberto.

E tem mais uma ideia circulando nos bastidores. A possibilidade de realizar o Mundial de Clubes a cada dois anos, em vez de a cada quatro. Por enquanto, é especulação. Os próprios envolvidos reconhecem que está longe de virar decisão. Mas o fato de estar na mesa já diz algo sobre a ambição que move esse projeto. Ninguém está aqui pensando pequeno.

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