1 jul 2026 17:03

Tuchel assume favoritismo da Inglaterra antes de encarar a RD Congo no Mundial

Tuchel assume favoritismo da Inglaterra antes de encarar a RD Congo no Mundial

Na véspera do confronto de segunda fase contra a República Democrática do Congo, nesta quarta-feira em Atlanta, Thomas Tuchel deixou de lado qualquer humildade calculada e foi direto ao ponto: a Inglaterra entra em campo como favorita, e o técnico aceita esse peso sem rodeios. A declaração não é arrogância. É um gesto calculado de um treinador que prefere nomear a pressão a fingir que ela não existe.

Favoritismo assumido, cautela mantida

“Sinto que é um privilégio estar nessas situações. Acho que podemos simplesmente aceitar: somos os favoritos”, afirmou o treinador em coletiva. A frase carrega um significado extra para quem conhece o histórico inglês: o país não levanta uma taça mundial há 60 anos, desde 1966. Cada geração carrega o peso das que fracassaram antes. Com Tuchel – que passou por PSG, Chelsea e Bayern de Munique – a cobrança só aumentou.

Mas o alemão não embarcou na euforia. Lembrou que os jogos desta fase têm sido travados e decididos em detalhes mínimos. Alemanha e Holanda já estão fora, eliminadas por Paraguai e Marrocos, respectivamente. “São partidas equilibradas, decididas por detalhes. Pessoalmente, isso me deixa mais tranquilo do que nervoso”, disse. Favoritismo, no mata-mata, não é garantia de nada.

Sobre a RD Congo, o técnico rejeitou qualquer tom de superioridade. O adversário chega respeitável: empatou com Portugal em 0 a 0, perdeu por apenas 1 a 0 para a Colômbia e goleou o Uzbequistão por 3 a 1. Não é um time que chega para se defender e torcer por um milagre.

Defesa em frangalhos antes do duelo decisivo

O maior problema de Tuchel não está no discurso. Está no setor que mais dói em eliminatórias: a defesa. Os laterais-direitos Reece James e Jarell Quansah seguem em programas individuais de recuperação e não participaram do último treino coletivo antes do jogo.

Quansah se machucou no tornozelo durante a vitória por 2 a 0 sobre o Panamá, na fase de grupos. James já havia ficado fora dessa partida depois de sentir a coxa no empate sem gols com Gana. A federação confirmou que ambos cumprem rotinas específicas, sem previsão clara de retorno.

Para um técnico que construiu sua reputação em estruturas defensivas sólidas, a lateral direita vulnerável é o ponto que mais preocupa. A necessidade de improvisar ou escalar alguém menos testado aumenta o risco em um confronto onde um único gol pode encerrar o sonho do hexacampeonato.

Bellingham, James Bond e um vestiário que cobra a si mesmo

No meio da tensão, um momento improvável descomprimiu a sala de imprensa. Um jornalista perguntou a Tuchel sobre a suposta “audição” de Jude Bellingham para o papel de James Bond, após o meia brincar em um programa de TV que gostaria de atuar no cinema. O técnico, que admitiu viver em uma “bolha” de preparação, ficou genuinamente surpreso. Quando o repórter sugeriu o título “Um Novo Dia para Morrer” para definir o jogo contra a RD Congo, Tuchel embarcou na brincadeira após alguns segundos de hesitação. “Excelente. Eu não fui inteligente nem espontâneo o suficiente para pensar nisso”, disse, já rindo.

Bellingham, protagonista involuntário do episódio, soma 2 gols e 1 assistência neste Mundial. É ele quem carrega a identidade técnica e emocional do grupo. E é exatamente esse grupo que, segundo Tuchel, gera sua própria pressão. “Estamos jogando contra as nossas próprias expectativas. Esperamos mais de nós mesmos do que apenas chegar à segunda fase”, afirmou. A torcida, no fim das contas, só ecoa o que o vestiário já exige de si.

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