18 jun 2026 22:33

Inter e Milan quitam dívidas com a UEFA e saem do acordo de monitoramento

Inter e Milan quitam dívidas com a UEFA e saem do acordo de monitoramento

A Câmara de Controle Financeiro de Clubes da UEFA fechou o ciclo de análises dos clubes sob acordos de liquidação – e para os dois gigantes de Milão, o veredicto foi limpo. Inter e Milan cumpriram todas as metas financeiras impostas pelo órgão europeu e estão oficialmente fora do regime de vigilância reforçada. A Roma, por sua vez, ainda tem lição de casa a fazer.

O que estava em jogo

Tudo começou no verão de 2022, quando Inter, Milan e Roma assinaram acordos de liquidação com Nyon após descumprirem a regra de equilíbrio financeiro. O contexto era pesado: a pandemia havia devastado as finanças do futebol europeu, e a UEFA chegou a oferecer esses acordos a todos os clubes que ultrapassaram o limite máximo de perdas, reconhecendo que o COVID-19 impediu medidas corretivas a tempo.

Os números eram expressivos. Os Nerazzurri acumularam um déficit de 488 milhões de euros entre 2019-20 e 2021-22. Os Rossoneri, 357 milhões no mesmo período. A exigência da UEFA era clara: registrar perda agregada máxima de 60 milhões de euros no triênio 2023-2025, já descontando investimentos considerados virtuosos, como categorias de base, futebol feminino e infraestrutura – estimados em cerca de 20 milhões anuais para um clube de grande porte.

Contas no azul, metas cumpridas

A Inter percorreu uma trajetória de recuperação consistente. De um prejuízo de 85 milhões em 2022-23, reduziu para 36 milhões negativos na temporada seguinte e fechou 2024-25 com o primeiro lucro da história do clube: +35 milhões de euros. O Milan foi ainda mais disciplinado: três exercícios consecutivos no positivo, com resultados de +6, +4 e +3 milhões respectivamente.

Ambos os clubes bateram as metas intermediárias antes mesmo do julgamento final. Por isso, nunca foram penalizados com multas condicionais nem com restrições de inscrição de jogadores – medidas que a UEFA costuma aplicar em casos de descumprimento parcial. O sinal verde de Nyon confirma uma virada real, não apenas contábil.

O que muda a partir de agora

Na prática, pouca coisa. Inter e Milan voltam ao monitoramento padrão, igual ao de qualquer outro clube que disputa competições europeias. Continuam obrigados a respeitar a regra de ganhos do futebol – perda máxima de 60 milhões no triênio – e o índice de custo de elenco abaixo de 70% da receita, excluindo transferências. Nenhuma novidade.

A diferença real é de pressão. Por algum tempo, Oaktree e RedBird não terão a UEFA no cangote a cada revisão intermediária. Deslizes pontuais não acionarão automaticamente sanções. Isso abre uma margem de manobra – não ilimitada, mas real – para reforçar o elenco com mais conforto. A Inter, que saiu do vermelho histórico, tem agora uma folga que não existia há três anos. O Milan, por sua vez, enfrenta um segundo ano seguido sem receita da Liga dos Campeões, o que impõe seus próprios limites.

Roma ainda corre contra o relógio

O clube da capital apresentou um quadro bem diferente. A perda acumulada no triênio 2023-2025 chegou a 238 milhões de euros – quatro vezes acima do teto permitido, embora a tendência seja de melhora. O resultado foi uma multa de 2 milhões de euros na revisão intermediária, mais 4 milhões adicionais por exceder o índice de custo de elenco.

O acordo da Roma ainda não encerrou. O balanço com fechamento em 30 de junho também estará sob escrutínio de Nyon, o que força o clube dos Friedkin a gerar receitas significativas com vendas de jogadores antes do fim do mês. O prazo é curto. A margem, menor ainda.

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