23 jul 2026 15:15

Rodri entra na discussão sobre os maiores após a final da Copa 2026

Rodri entra na discussão sobre os maiores após a final da Copa 2026

Enquanto o mundo do futebol coroa mais uma vez Lionel Messi, no gramado do MetLife Stadium amadureceu, em silêncio e sem alarde, outro protagonista. Rodri Hernández se tornou o sétimo jogador da história a reunir a coleção completa: título mundial, troféu continental, Liga dos Campeões e Bola de Ouro. A companhia é à altura – Beckenbauer, Müller, Zidane, Rivaldo, Ronaldinho e o próprio Messi.

Espanhol reescreveu as estatísticas do torneio

Na campanha na América do Norte, o capitão da Espanha completou 648 passes – ninguém fez mais em uma única edição do Mundial. O recorde anterior, de quatro anos atrás, era dele mesmo. O número é seco, mas por trás dele está algo simples: era por Rodri que a Espanha iniciava quase todos os ataques. Ele também foi eleito o melhor jogador do torneio – prêmio que se soma à Bola de Ouro de 2024, recebida em meio a boa dose de polêmica, à frente de Vinícius Júnior.

A própria final contra a Argentina foi ilustrativa. Enquanto o volante esteve em campo, Messi ficou bem marcado e quase invisível. Assim que Rodri saiu, aos 9 minutos da prorrogação, dando lugar a Martín Zubimendi, a influência do argentino cresceu de forma visível – ainda que o placar já obrigasse os visitantes a arriscar. A Espanha decidiu mesmo assim, com gol de Ferran Torres aos 106 minutos, mas com o capitão mais inteiro no meio-campo o desfecho teria sido bem mais tranquilo.

A volta depois de uma lesão grave

O caminho até esta final não foi dos mais retos. Em setembro de 2024, Rodri rompeu o ligamento cruzado do joelho direito e passou quase duas temporadas longe do auge – primeiro o tratamento, depois a longa recuperação do ritmo de jogo. Sem ele, o Manchester City viveu seu pior período nos dez anos de Guardiola: em determinado momento a equipe perdeu seis de oito jogos no campeonato e ficou sem o título da Premier League pela primeira vez em cinco temporadas.

Ainda em outubro, Guardiola previa que seu capitão voltaria ao auge justamente a tempo do Mundial. A previsão se cumpriu quase ao pé da letra.

Um volante pode disputar o posto de GOAT?

A lista de troféus de Rodri já era imponente mesmo sem o Mundial: quatro títulos ingleses, cinco copas nacionais, a antiga versão do Mundial de Clubes com o City, duas Supercopas da UEFA e a Liga das Nações pela seleção. Mas são justamente os últimos três anos – com o triunfo na Eurocopa, a Liga dos Campeões, a Bola de Ouro e agora o título mundial – que o colocam em outra categoria.

Ele segue sendo uma exceção rara: desde 1976, depois da segunda Bola de Ouro de Beckenbauer, apenas quatro jogadores sem perfil ofensivo marcante levaram o prêmio – Lothar Matthäus, Matthias Sammer, Fabio Cannavaro e agora Rodri. Zagueiros geniais como Maldini ou Ramos nunca chegaram lá.

O próprio espanhol falou sem grandiloquência depois da final: mais importante do que os troféus é o caminho percorrido através da lesão e do fracasso. “Eu só quero que a nova geração veja no meu exemplo a possibilidade de se levantar depois de uma queda”, disse o capitão da seleção. O técnico Luis de la Fuente foi mais direto: para ele, Rodri há muito merece o status de melhor jogador do mundo, e a próxima Bola de Ouro é questão de tempo.

Chamá-lo de maior futebolista de todos os tempos ainda é cedo – Messi nunca saiu dessa discussão nem por um segundo. Mas como melhor volante da história do jogo, Rodri claramente apresentou sua candidatura.

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