23 jun 2026 18:39

Marrocos chega a Atlanta com 4 pontos e joga por vaga nas oitavas da Copa 2026

Marrocos chega a Atlanta com 4 pontos e joga por vaga nas oitavas da Copa 2026

Um empate já basta. Marrocos desembarca em Atlanta na noite desta quarta-feira em situação confortável no Grupo C da Copa do Mundo de 2026: quatro pontos em dois jogos, um empate em 1 a 1 com o Brasil e uma vitória por 1 a 0 sobre a Escócia. Diante de um Haiti já eliminado, os Leões do Atlas precisam de apenas um ponto para garantir a classificação às oitavas de final.

Defesa blindada, ataque sob medida

O estilo de Mohamed Ouahbi à frente da seleção marroquina tem uma marca registrada clara: não levar gol. Em cinco jogos sem derrota – três vitórias e dois empates – a equipe sofreu apenas dois tentos. Na Copa, foram 180 minutos com apenas uma falha defensiva, o suficiente para controlar tanto o Brasil quanto a Escócia sem precisar de shows ofensivos.

A criatividade fica por conta de Brahim Diaz, do Real Madrid, e Bilal El Khannouss, do VfB Stuttgart. O capitão Achraf Hakimi, com 98 partidas pela seleção e 11 gols como lateral-direito, segue sendo um dos defensores mais perigosos do torneio – suas subidas pelo flanco direito são parte central do plano de jogo. No meio, o jovem de 18 anos Ayyoub Bouaddi impressiona pela maturidade ao lado de Neil El Aynaoui na dupla pivô.

Com o elenco sem baixas, Ouahbi tem opções para rodar o time. Sofyan Amrabat, do Real Betis, pode entrar no lugar de Bouaddi; Zakaria El Ouahdi cobre a posição de Hakimi se o capitão for poupado. Soufiane Rahimi e Ayoub El Kaabi – 35 gols em 71 jogos – aguardam oportunidade no banco.

Haiti: 52 anos de espera, 180 minutos sem marcar

A história da volta do Haiti às Copas é, por enquanto, amarga. A seleção caribenha retornou ao Mundial pela primeira vez desde 1974 – quando perdeu todos os três jogos na Alemanha Ocidental – e repetiu o roteiro: duas derrotas, zero gols marcados, quatro sofridos. Foi a primeira equipe eliminada da edição de 2026.

Fora do torneio principal, o Haiti até mostrou que pode competir em seu nível: bateu a Nova Zelândia por 4 a 0 e a Nicarágua por 2 a 0 antes do Mundial. Mas o salto para enfrentar potências do futebol mundial expôs limitações difíceis de disfarçar. O goleiro-capitão Johny Placide, de 38 anos e 84 internacionalizações, segue como o símbolo de experiência do grupo.

O técnico Sébastien Migné deve fazer ajustes táticos após a goleada por 3 a 0 sofrida diante do Brasil, que escancarou fragilidades defensivas. Jean-Ricner Bellegarde, do Wolverhampton, é o nome mais reconhecível do elenco e o jogador com maior capacidade de carregar a bola pelo meio e criar algo contra a organização marroquina. Com a classificação fora de alcance, Migné pode aproveitar para dar minutos a jovens como Keeto Thermoncy (20 anos) e Woodensky Pierre (21).

Primeira vez, sem histórico, sem dúvida no favoritismo

Marrocos e Haiti nunca se enfrentaram em nível sênior. Nenhuma vez, em nenhuma competição. Sem referência histórica, o que resta são os números – e eles apontam em uma única direção.

Os marroquinos chegaram à semifinal do Mundial do Catar em 2022, tornando-se a primeira seleção africana a alcançar essa fase. O elenco atual é formado por jogadores que atuam nos principais clubes europeus. O haitiano, em contraste, vem principalmente de divisões inferiores da Europa e da pirâmide norte-americana de futebol. A diferença de nível é objetiva. O desafio para Ouahbi talvez não seja vencer – é decidir se vale a pena poupar titulares ou pressionar por uma vitória mais elástica, que poderia ajudar Marrocos a ultrapassar o Brasil na liderança do grupo pela diferença de gols.

Achraf Hakimi Copa 2026 Grupo C Haiti Marrocos
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