Holanda e Marrocos se reencontram na Copa de 2026, 32 anos depois

Nesta terça-feira, no Estádio de Monterrey, Holanda e Marrocos disputam as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 – exatamente 32 anos após se enfrentarem na fase de grupos do torneio de 1994, nos Estados Unidos. Ronald Koeman quer transformar essa partida no pontapé inicial de uma campanha que leve os holandeses a encerrar uma história de vices e frustrações.
Dois caminhos diferentes até Monterrey
A Holanda encerrou o Grupo F na liderança, com sete pontos. Depois do tropeço no empate em 2 a 2 com o Japão na estreia, a Oranje engrenhou: 5 a 1 sobre a Suécia e 3 a 1 diante da Tunísia. Koeman encontrou o ritmo que queria. O problema, porém, ficou na defesa: o time não conseguiu uma sequência sólida nas costas, e em sete dos últimos nove jogos ambas as equipes balançaram a rede.
Marrocos chegou pela porta mais difícil. O Grupo C tinha o Brasil, e os Atlas Lions encararam o favoritão logo na abertura – empataram em 1 a 1 e foram, por longos períodos, a equipe mais organizada em campo. Depois vieram um triunfo por 1 a 0 sobre a Escócia e uma goleada de 4 a 2 sobre o Haiti, com reservas escalados. O saldo: invictos há 32 partidas, com 27 vitórias e cinco empates.
Os nomes que podem decidir
Virgil van Dijk tem sido o grande sustentáculo holandês. Além de liderar a defesa, o zagueiro já marcou um gol e deu uma assistência em três jogos, boa parte desse impacto vindo de bolas paradas. Com a Holanda registrando uma média próxima de seis escanteios por partida, ele terá oportunidades. O risco é que Ryan Gravenberch e Frenkie de Jong não têm conseguido protegê-lo adequadamente pelo meio.
Na frente, Cody Gakpo acumula dois gols e uma assistência, mas carrega uma situação pessoal delicada – perdeu um familiar recentemente e, embora permaneça no grupo, sua titularidade é incerta. Brian Brobbey, centroavante de força física imponente, entrou como solução e marcou três vezes nas últimas duas partidas.
Do outro lado, Ismael Saibari é o nome do momento. O atacante do PSV balançou a rede em cada um dos três jogos de Marrocos, tornando-se o primeiro africano a marcar nas três rodadas iniciais de uma Copa. Ayyoub Bouaddi, de apenas 17 anos, pressionou com intensidade e inteligência até contra o Brasil – difícil acreditar que tem tanta experiência. Neil El Aynaoui completou o trio do meio-campo marroquino com consistência.
Histórico curto, mas favorável aos holandeses
Os dois países se enfrentaram apenas três vezes. A Holanda venceu em 1994, por 2 a 1, no único duelo válido por competição oficial. O único triunfo marroquino foi num amistoso de 1999, em casa dos adversários, também por 2 a 1. O placar mais recente foi outro 2 a 1 holandês, em amistoso de 2017.
A Holanda carrega um fardo histórico raro: três vice-campeonatos mundiais e um terceiro lugar, sem nunca ter erguido a taça. Ao mesmo tempo, ostenta a maior sequência invicta da história do torneio – 15 jogos, contando disputas por pênaltis como empate. Cinco das últimas seis partidas seguintes à fase de grupos resultaram em vitória. Mas três desses jogos foram resolvidos nas penalidades. Koeman sabe que não há margem para contar com a sorte.
Para Marrocos, que terminou em quarto lugar no Catar em 2022, essa geração é tratada como a mais talentosa da história do futebol norte-africano. Ganhar desta Holanda, em jogo eliminatório, seria um passo enorme. O confronto promete ser decidido por detalhes – e quem errar menos no meio-campo provavelmente ditará o resultado.





